Eu sempre gostei de motos. Cresci convivendo com as Honda ST70, CB125, CB360, Yamaha "cinquentinha", Vespas, Lambrettas, etc, mas as circustâncias (estudo, trabalho, família) sempre fizeram com que eu adiasse a compra da minha sonhada moto. Porém um dia, perto do natal de 1998, deparei num Shopping Center em Curitiba com uma Harley-Davidson FX, branca, que estava em exposição. Aquela "visão" reacendeu a antiga paixão e eu passei a conjecturar seriamente a compra de uma moto.
Mas havia alguns poréns: primeiro, fazia quase 20 anos que eu não montava em uma moto; segundo, não tinha habilitação para pilotar motos e, terceiro, uma Harley-Davidson era muito cara para as minhas condições financeiras. E assim, a euforia esfriou. Passado um tempo, em janeiro de 2001, eu estava saindo em viagem de férias com a família, quando passei na frente de uma loja e vi uma "Harley Amarela", em imponente exposição numa rampa inclinada.
Quando retornei, a moto ainda estava exposta e, resolvi "visitá-la", para "babar" um pouco. Qual não foi minha surpresa, quando vi, estampado na lateral da moto o emblema Daelim 125 VT. Uma "Harley" Daelim... e 125 cc? Entrei na loja e conversando com o vendedor, quase não acreditei no que via e ouvia: diante de mim estava uma moto com o porte e aparência de uma Harley-Davidson, com apenas 125 cc e o melhor, num preço que podia pagar!
Comecei a economizar o dinheiro para a compra da moto, matriculei-me numa auto-escola (antigo nome dos atuais CFC). Tirei a "Carteia A" e encomendei a moto. Nesse meio tempo, tornei-me devorador voraz de toda literatura disponível sobre motos (revistas, sites, etc). Fiquei "fascinado por "customizações".
A Magma era oferecida em três opções de cores: grafite, vinho e amarela, a que eu escolhi.
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E antes mesmo de tirar a moto da loja, já havia encomendado bolha (parabrisa), protetor de motor, alforjes (malas laterais), protetor de tanque e sissy-bar (encosto para garupa) com bagageiro.
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E lá estava eu, no final de 2001, um pouco temeroso com o meio novo meio de transporte, potencialmente mais perigo que os carros, aos quais já estava acostumado, mas feliz com meu brinquedo novo, uma "estradeira" devidamente customizada".
Mas o meu contentamento com a customização durou pouco. Em primeiro lugar, porque eu percebi logo nos primeiros encontros de moto que participei que, as raras Daelins Magma que encontrei também estavam "devidamente customizadas"... todas parecidíssimas com a minha, variando apenas um ou outro acessório. Foi nesa hora que dei conta que onde eu comprei os meus acessórios, os outros proprietários de Magma também compraram. Em segundo lugar, foi que de repente a "ficha foi caindo, e eu fui percebendo que a minha moto tinha um designin com um apelo mais para o esportivo, mais jovial, e a quantidade de "tralhas" que pendurei nela não combinavam com esse estilo.
No início de 2003, resolvi que o melhor era fazer modificações mais profundas na moto. Queria deixá-la com um ar mais "clássico", que deixasse a moto com "cara de Indian".
A moto então, recebeu novos paralamas, maiores e mais compridos, feitos em fibra de vidro, apliques nos paralamas, nova lanterna traseira, alguns detalhes na pintura, faróis auxiliares (de milha e de neblina) e um par de plataformas para os pés do piloto, feita artesanalmente.
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Pronto! Já tinha em mãos uma "estradeira clássica". A essa altura, eu já estava bem mais acostumado com esse novo meio de transporte e comecei a "viajar", fazendo pequenos "tiros" ao litoral e a cidades próximas... nada que ultrapassasse a distância de 200 km. Foi então que a segunda ficha começou a cair: eu tinha uma moto com aparência e porte de uma moto estradeira... e só! A potência, contudo era de uma moto urbana. Eu até me vangloriava que a moto conseguia acompanhar "na boa" motos de maior potência, rodando "tranquilo" na casa dos 110 km/h. Mas bastou eu rodar uns kilometros com uma moto com motor mais potente para perceber o quanto estava enganado. A 110 km/h eu estava "esgoelando" o motor da Magma, com muito pouca reserva de potência, o que tornava as ultrapassagens inseguras e as subidas um suplício. Percebi que, decididamente, um motor de 125 cc não era suficiente para uma moto estradeira.
Independente disso, a aquisição da Magma foi muito proveitosa para mim, pois além de ter sido a minha "moto-escola", era uma moto muito robusta, bonita e bem construída. E foi com ela que eu acabei entrando no mundo da customização e pude aprender a desenvolver e fabricar peças. Comecei então a procurar uma moto mais potente, mas não tinha a intenção de me desfazer da Magma. Retornei "à prancheta" e resolvi explorar o apelo jovial da moto original, com planos de deixá-la mais "bandida" e reservá-la para uso urbano.
Início de 2004: serrei o paralama de fibra de vidro traseiro, removi o sissy-bar e o bagageiro, mudei alguns detalhes a mais na pintura, fabriquei um novo banco, mais esportivo, troquei a bolha por outra menor, troquei a lanterna traseira, retornei o paralama dianteiro e as pedaleiras do piloto originais, troquei as pedaleiras da garupa por outras mais esportivas (da Yamaha RD 350), instalei retrovisores e piscas menores, molas cromadas (enfeites) entre as mesas da suspensão dianteira e mini-alforjes laterais. Troquei também o guidão original por um T-Bar.
Finalmente, em meados de 2005, retornei a Magma ao seu estado original e a vendi... com dor no coração, pois, nessa altura do campeonato, já tinha na garagem outras duas motos, uma Honda CB400 1982, transformada em Cafe Race e uma Honda CB400 DX, modificada para CB450E.